Escrevi algumas
passagens no meu livro de « Memorias », a China sempre me
impressionou. Mas não fui só eu, porque me recordo que durante muitos anos,
quando alguém falava da multidão asiática, chamavam-lhe o “Perigo Amarelo”.
Entretanto, as
coisas mudaram. Quando o ministro francês Alain de Peyrefitte escreveu o seu
livro premonitório “Quando a China acordar, o mundo tremerá”, apressei-me de o
ler. Não sabia ainda que um dia conheceria muito bem este país e que lá iria
bastantes vezes.
Os Chineses
tiveram sempre uma opinião particular sobre os Europeus. Desde os tempos de
Marco Pólo e depois os Portugueses, que foram os primeiros a abordar a China
sob o plano comercial e cultural. E mesmo militar, porque foi a eles que o
Imperador pediu de “limpar” o Mar da China da pirataria, que os nossos
compatriotas executaram muito bem graças às caravelas e a uma arma desconhecida
na época – o canhão. Macau foi a recompensa.
Quando dirigi a
presença da minha firma na grande Exposição Industrial Francesa de Pequim, em
1964, tinha notado que os Chineses tinham um sentimento especial para a França,
porque conheciam a história de dois grandes chefes da Revolução Comunista
Chinesa, Zhou
Enlai et Deng Xiaoping, que fizeram os seus estudos em França.
O General De Gaulle foi talvez o mais importante aliado diplomático do
presidente Mao . E não foi por acaso que a França foi o primeiro grande país
ocidental a estabelecer relações diplomáticas com a Republica Popular de China.
O presidente Mao chamou a De Gaulle o “seu amigo longínquo” e tinha pedido
a André Malraux, um dia que este o visitou em Pequim, de transmitir os “seus
cumprimentos ao seu amigo longínquo”, De Gaulle.
Os Chineses continuam a partir para o Ocidente para estudar. Hoje, 33% dos
Chineses optam pela Europa e 27% pelos Estados Unidos.
Mas os Chineses
parecem hoje desorientados, desde a saída do RU da Europa, o Brexit. Na
realidade não compreendem bem. A China prefere tratar com um grande aparelho
burocrático que com 27 pequenos aparelhos mais pequenos mas também
burocráticos.
Mesmo se o resto
da Europa, sem o RU, ainda é uma potência importante, na qual vivem 500 milhões,
menos 64 milhões de britânicos, que pesa 10 000 biliões de $ de PIB (menos
3.000 biliões do RU), sobretudo sabendo-se que o RU não pertence à Zona Euro,
nem a Shengen.
Mas a Grande
Europa perdeu o seu charme junto das classes médias europeias e do povo em
geral. A elite europeia não tem mais uma linguagem comum com o povo.
Os Chineses neste
momento perguntam a eles mesmos se finalmente, a Europa não vai desagregar-se
como a União Soviética.
O que contraria
imenso o seu sonho de ver uma Europa, com a China, num mundo multipolar, para
acabar com a dominação do Mundo por um país hegemónico como os Estados Unidos.
Trump vai
certamente baralhar as cartas . Não sabemos como as distribuirá.
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